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Morre Austregésilo Carrano Bueno Cuando viene Bauleo? X Congresso Internacional de Cidades Educadoras - AICE Análise sobre a situação da saúde mental no Brasil Conversa e Noite de autógrafos com Paulo Amarante – Saúde Mental e Atenção Psicossocial (vídeo) Carta de solidariedade aos trabalhadores Emilio Rodrigué – O Funeral do Sol (vídeo) Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 60 anos Sarau Projetos Terapêuticos 2009 - Letras de poemas e músicas apresentados por alguns dos presentes. Letras músicas Bazar Diversificado |
Emilio Rodrigué – O Funeral do Sol (vídeo)
Na madrugada do dia 21 de fevereiro, morreu na Bahia Emilio Rodrigué. Ele, que caiu do céu para a Psicanálise, tanto fez, que conseguiu partir sem nos deixar um sentimento de abandono. Foram 84 anos de uma vida registrada em inúmeros livros, nos quais partilhou suas experiências pessoais e analíticas, com uma coragem e ousadia raramente encontradas nos textos psicanalíticos. Questionado sobre o sentido dessa escrita, revelou: ”Comecei minha análise pessoal em 1943 e levo 61 anos sob a égide freudiana. A psicanálise foi minha tutora, algo assim como minha espinha vertebral: sou analista dos pés à cabeça, eu penso psicanaliticamente, eu vivo psicanaliticamente, eu psicanaliso psicanaliticamente, eu escrevo psicanaliticamente. A escrita é minha auto-análise, como tem de ser”. Escritor ímpar, de muitos parceiros. A história da sua formação é lendária. Que aspirante a analista não gostaria de ter estado na Londres do pós Guerra, época da grande controvérsia Ana Freud-Melanie Klein, ter se deitado seis vezes por semana no divã de Paula Heiman, ter atendido crianças e feito supervisão com Mrs. Klein? Observado grupos conduzidos por Bion? Ter sido supervisionado também por Winnicott? Ter estado assim tão perto da vanguarda psicanalítica de seu tempo? O que parece um sonho foi sua realidade, quando aos 25 anos saiu da Argentina em busca de tornar-se analista. Quando voltou ao país, trazia na bagagem um sólido aparato teórico que lhe permitiu por toda a vida a desenvoltura de um livre pensador. Sempre queria saber mais, sobre tudo. Um verdadeiro mestre na arte de perguntar: perguntas disruptivas que mudavam muitas vezes, todo o curso de um pensamento. Seus grandes amigos o definem como incapturável: “Estar a seu lado era sempre viver a experiência do insólito, do inesperado, do vital”. Nesse sentido, Rodrigué foi puro devir. Suas transformações no processo de organizar uma nova dimensão para a terapia foram enormes. Uma mudança violenta ocorreu entre o terapeuta de divã e a sua ação nos laboratórios sociais; mas sempre afirmando que Freud era o mais jovem de todos os analistas. Uma Biografia Essencial Iniciou sua formação psicanalítica na Associação Psicanalítica Argentina, chegando durante certo período a ser seu presidente. Na década de 50 viajou a Londres e continuou sua aprendizagem com figuras como Melanie Klein, Bion, Winnicott, Hanna Segal e outros. Retornando à Argentina, foi um dos pioneiros dos trabalhos psicanalíticos com grupos. Foi co-autor junto a Marie Langer e Leon Grinberg do primeiro livro escrito em castelhano sobre essa temática: ”Psicoterapia de Grupo” (1957). Seus múltiplos interesses e inquietudes o levaram a transitar por distintas experiências e distintos lugares. Na década de 60 viveu contato intenso e transformador com a filósofa Susanne Langer e partiu para quatro anos de novo aprendizado na comunidade terapêutica de Austin Riggs, Massachussets, EUA, aí convivendo com Robert Knight, Rappaport e Erik Erikson. O resultado desse passo foi o livro “Biografia de uma Comunidade Terapêutica”. Paralelamente, começou a escrever ficção. Em 1969 publicou a novela “Heroína”, livro que se tornou um bestseller e que acabou sendo filmado anos depois por Raul de la Torre, tendo o próprio Rodrigué participado como ator. No princípio dos anos 70, integrou-se ao grupo Plataforma que, junto com o grupo Documento, rompeu com a Associação Psicanalítica Internacional por motivos ideológicos em fins de 1971. Em fins de 1975 saiu da Argentina com sua mulher Martha Berlin, de sólida formação psicodramatista, para radicar-se na Bahia. Aí iniciaram um projeto de formação analítica pela via grupal, que fez dele um pioneiro da psicanálise local. Com seus discípulos o mestre aprendeu Lacan. Nesses tempos de afastamento da ortodoxia analítica, Rodrigué, que já tinha seu papel de vanguarda em grupos e comunidades terapêuticas nos anos 60, faz uma virada para o trabalho corporal a partir de sua estada em Esalen, meca californiana das práticas alternativas (bioenergética, psicodrama, técnicas grupais e corporais, filosofia oriental). Conduziu inúmeros laboratórios que muito influenciaram corporalistas cariocas e paulistanos. Seguiu escrevendo ficção, com uma série de novelas como “O Antiyo-yo” (1977), “A Lição de Ondina”, e o “Livro das Separações” (os dois últimos abordam momentos autobiográficos). Mas não deixou de publicar contribuições importantes ao campo psicanalítico, como “O Paciente das 50 000 Horas” (1977) e especialmente uma bela biografia do criador da Psicanálise: “Sigmund Freud - o século da psicanálise” (1996). Sua última viagem à Argentina (2006) foi para apresentar seu último livro, “A resposta de Heráclito”. Estabelecido em Salvador, cidade que carinhosamente apelidou de Roma Negra, e foi por ele descoberta nos anos 70 num terreiro de candomblé de Itaparica e redescoberta nos 80 nos braços de um grande amor, aí viveu até sua morte. Você já leu Emilio Rodrigué? Não? Então leia. E se não foi à Bahia, também vá. Lucinha Lima |
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