05 de Março de 2008
 

Morre Austregésilo Carrano Bueno
Carrano foi autor de uma série de denúncias dos abusos que sofrera durante os anos em que ficou internado em instituições psiquiátricas. (...)

Cuando viene Bauleo?
En Rio de Janeiro hace mas de 20 años ya se decia en el grupo carioca deleuziano, que la alegria no era brasilera, la alegria era Armando Bauleo. (...)

X Congresso Internacional de Cidades Educadoras - AICE
Com o tema Construção de Cidadania em Cidades Multiculturais, o X Congresso Internacional de Cidades Educadoras, aconteceu em São Paulo (Brasil) (...)

Análise sobre a situação da saúde mental no Brasil
Em setembro de 2007 a Revista Lancet, periódico médico britânico semanal, lançou uma edição dedicada à saúde mental. (...)

Conversa e Noite de autógrafos com Paulo Amarante – Saúde Mental e Atenção Psicossocial (vídeo)
Realizamos no dia 28 de março, na Livraria da Vila, em São Paulo, o lançamento do livro de Paulo Ama (...)

Carta de solidariedade aos trabalhadores
Trabalhadores da Revista Topía, de Buenos Aires, denunciam uma situação de d (...)

Emilio Rodrigué – O Funeral do Sol (vídeo)
Na madrugada do dia 21 de fevereiro, morreu na Bahia Emilio Rodrigué. (...)

Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 60 anos
Neste ano de 2008 o mundo comemora o 60º aniversário da Declaração Univ (...)

Sarau Projetos Terapêuticos 2009 - Letras de poemas e músicas apresentados por alguns dos presentes.
letras (...)

Letras músicas Bazar Diversificado
Junho 2009 (...)

 

Emilio Rodrigué – O Funeral do Sol (vídeo)



Na madrugada do dia 21 de fevereiro, morreu na Bahia Emilio Rodrigué. Ele, que caiu do céu para a Psicanálise, tanto fez, que conseguiu partir sem nos deixar um sentimento de abandono. Foram 84 anos de uma vida registrada em inúmeros livros, nos quais partilhou suas experiências pessoais e analíticas, com uma coragem e ousadia raramente encontradas nos textos psicanalíticos. Questionado sobre o sentido dessa escrita, revelou: ”Comecei minha análise pessoal em 1943 e levo 61 anos sob a égide freudiana. A psicanálise foi minha tutora, algo assim como minha espinha vertebral: sou analista dos pés à cabeça, eu penso psicanaliticamente, eu vivo psicanaliticamente, eu psicanaliso psicanaliticamente, eu escrevo psicanaliticamente. A escrita é minha auto-análise, como tem de ser”. Escritor ímpar, de muitos parceiros.

A história da sua formação é lendária. Que aspirante a analista não gostaria de ter estado na Londres do pós Guerra, época da grande controvérsia Ana Freud-Melanie Klein, ter se deitado seis vezes por semana no divã de Paula Heiman, ter atendido crianças e feito supervisão com Mrs. Klein? Observado grupos conduzidos por Bion? Ter sido supervisionado também por Winnicott? Ter estado assim tão perto da vanguarda psicanalítica de seu tempo? O que parece um sonho foi sua realidade, quando aos 25 anos saiu da Argentina em busca de tornar-se analista. Quando voltou ao país, trazia na bagagem um sólido aparato teórico que lhe permitiu por toda a vida a desenvoltura de um livre pensador. Sempre queria saber mais, sobre tudo. Um verdadeiro mestre na arte de perguntar: perguntas disruptivas que mudavam muitas vezes, todo o curso de um pensamento. Seus grandes amigos o definem como incapturável: “Estar a seu lado era sempre viver a experiência do insólito, do inesperado, do vital”. Nesse sentido, Rodrigué foi puro devir. Suas transformações no processo de organizar uma nova dimensão para a terapia foram enormes. Uma mudança violenta ocorreu entre o terapeuta de divã e a sua ação nos laboratórios sociais; mas sempre afirmando que Freud era o mais jovem de todos os analistas.

Uma Biografia Essencial
Iniciou sua formação psicanalítica na Associação Psicanalítica Argentina, chegando durante certo período a ser seu presidente.

Na década de 50 viajou a Londres e continuou sua aprendizagem com figuras como Melanie Klein, Bion, Winnicott, Hanna Segal e outros. Retornando à Argentina, foi um dos pioneiros dos trabalhos psicanalíticos com grupos. Foi co-autor junto a Marie Langer e Leon Grinberg do primeiro livro escrito em castelhano sobre essa temática: ”Psicoterapia de Grupo” (1957).

Seus múltiplos interesses e inquietudes o levaram a transitar por distintas experiências e distintos lugares. Na década de 60 viveu contato intenso e transformador com a filósofa Susanne Langer e partiu para quatro anos de novo aprendizado na comunidade terapêutica de Austin Riggs, Massachussets, EUA, aí convivendo com Robert Knight, Rappaport e Erik Erikson. O resultado desse passo foi o livro “Biografia de uma Comunidade Terapêutica”.

Paralelamente, começou a escrever ficção. Em 1969 publicou a novela “Heroína”, livro que se tornou um bestseller e que acabou sendo filmado anos depois por Raul de la Torre, tendo o próprio Rodrigué participado como ator. No princípio dos anos 70, integrou-se ao grupo Plataforma que, junto com o grupo Documento, rompeu com a Associação Psicanalítica Internacional por motivos ideológicos em fins de 1971.

Em fins de 1975 saiu da Argentina com sua mulher Martha Berlin, de sólida formação psicodramatista, para radicar-se na Bahia. Aí iniciaram um projeto de formação analítica pela via grupal, que fez dele um pioneiro da psicanálise local. Com seus discípulos o mestre aprendeu Lacan. Nesses tempos de afastamento da ortodoxia analítica, Rodrigué, que já tinha seu papel de vanguarda em grupos e comunidades terapêuticas nos anos 60, faz uma virada para o trabalho corporal a partir de sua estada em Esalen, meca californiana das práticas alternativas (bioenergética, psicodrama, técnicas grupais e corporais, filosofia oriental). Conduziu inúmeros laboratórios que muito influenciaram corporalistas cariocas e paulistanos. Seguiu escrevendo ficção, com uma série de novelas como “O Antiyo-yo” (1977), “A Lição de Ondina”, e o “Livro das Separações” (os dois últimos abordam momentos autobiográficos).

Mas não deixou de publicar contribuições importantes ao campo psicanalítico, como “O Paciente das 50 000 Horas” (1977) e especialmente uma bela biografia do criador da Psicanálise: “Sigmund Freud - o século da psicanálise” (1996). Sua última viagem à Argentina (2006) foi para apresentar seu último livro, “A resposta de Heráclito”.

Estabelecido em Salvador, cidade que carinhosamente apelidou de Roma Negra, e foi por ele descoberta nos anos 70 num terreiro de candomblé de Itaparica e redescoberta nos 80 nos braços de um grande amor, aí viveu até sua morte. Você já leu Emilio Rodrigué? Não? Então leia. E se não foi à Bahia, também vá.

Lucinha Lima

Notícias anteriores  Atuais
Entrevistas
Rua Gabriel de Brito, 29 - Pinheiros | 11 3875-0797 | ©2008 Projetos Terapêuticos. Todos os direitos reservados.
Melhor visualizado em 1024 x 768 px. | desenvolvido por KiwiMídia