Cordão Carnavaleco Bibitantã* 2008
No dia 15 de agosto de 2008 foi realizada uma reunião no CAPS Itaim onde pudemos conhecer melhor a história do Grupo Cultural Cordão Carnavaleco Bibitantã, e envolver-nos neste projeto que se desenvolve há 3 anos, a partir de uma associação de serviços de saúde mental e movimentos de cultura popular.
O grupo tem trabalhado no sentido de ampliar suas parcerias construindo redes tecidas por afinidade, e que promovem a sustentação deste cordão de carnaval, possibilitador de experiências de interação entre pessoas da comunidade, entre si, com o território e com a cultura popular tradicional paulista, com ênfase no samba.
Tais eventos nos falam das múltiplas possibilidades de criação que encontros inusitados podem suscitar. A alegria, a espontaneidade e a diversidade reunidas no cordão constroem não somente fantasias, música, dança, mas sujeitos coletivos que produzem e usufruem cultura e se apropriam da cidade, da rua, do espaço público.
Além de festejar o carnaval, foram criados os grupos de Samba de Bumbo Bumbotantã e Sambalelê, resgatando origens do samba, e em 2007 foi gravado o cd Pipocando de Alegria, com os sambas-tema do carnaval daquele ano.
Leia a seguir um texto de Yanina, uma das fundadoras do grupo e coordenadora do CAPS -Butantã, sobre o Cordão Bibitantã:
"Você sabe o que é olhar nos olhos, no meio da festa, no meio de uma canção, e eu e você nos reconhecemos imediatamente, por alegria, pela beleza, por dançar e cantar?
É a música criada pela bateria, que passa pela gente como um arfar, uma respiração, é cantada por todos como um coração que se dilata. É o meneio do corpo, a vênia de um olhar. Uma piscada, uma gingada. Encher os olhos com a alegria dos outros e reconhecer nas pessoas em torno tudo isso que temos em comum.
Durante os desfiles de carnaval (desde 2006), nós, do Cordão Carnavalesco BiBi Tantã, mantemos tradições. Algumas herdadas da história de outros grupos e outros cordões e blocos carnavalescos, de fazer o estandarte, a feijoada, escolher a música para desfilar este ano. Mas o principal é nosso convite aberto de que a nossa festa é de todos, pelas ruas no carnaval.
E distribuímos adereços que fizemos, nossas fantasias são desiguais e não são representações de nada, são apenas o olhar fantasiado sobre o momento e sobre nós. E recordamos a alegria simples do gosto de viver, apesar da aspereza da vida, que não esquecemos.
O Cordão Carnavalesco Bibi Tantã nasceu da ligação entre serviços de saúde mental do SUS da cidade (o CAPS Butantã, o CAPS Itaim e o CECCO Previdência), uma ONG de produção musical (Sambatá) e outra, do movimento de resistência cultural popular (Kolombolo dia Piratininga). Queremos manter o desenho original, entre movimentos de cultura popular e demais setores públicos e civis. Gente que se dispõe a pensar sobre como lidar com a vida de hoje, respeitando nossa origem, do que fomos feitos.
Toda a nossa batalha é, então, a de tecer alianças e participações que girem o chão de significados partilhados na vida em comum, de modo a recuperar esta valiosa interlocução, praticada através de múltiplas linguagens: a festa, a música, a dança, a poesia, o gesto. E que este movimento venha a nos fortificar e nos re- situar como sujeitos de nossa história, no contexto de nossa cidade, no tempo presente."
Acesse fotos dos eventos (fotógrafa: Flávia Bliks - psicóloga do Caps Recrear de Guarulhos)
Acesse em nossa Agenda as oficinas preparatórias, e participe!
Acesse o fotolog Cordão Carnavalesco Bibitantã - História e Programação para 2009
*O Cordão BiBiTanTã foi batizado em homenagem ao Itaim-Bibi e ao Butantã, territórios que o fundam. Os objetivos do projeto são:
- Fortalecer e difundir a cultura popular tradicional paulista, com ênfase no samba;
- Propiciar espaço de criação e expressão cultural para usuários dos serviços de saúde mental, familiares, profissionais e territórios envolvidos;
- Promover oportunidade de produção cultural coletiva e democrática, envolvendo todos participantes;
- Trabalhar a diversidade como possibilitadora da criatividade e beleza estética;
- Possibilitar, a todos participantes do cordão e ao público em geral, vivências de alegria e de encontro, por meio desta manifestação cultural e do fazer coletivo.